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Quando um animal se torna uma tendência

  • Foto do escritor: begoodmust
    begoodmust
  • há 2 horas
  • 2 min de leitura

As redes sociais impulsionam a popularidade de algumas raças de cães e gatos, mas nem sempre mostram a realidade. Neste artigo de opinião, André Santos, Médico Veterinário do AniCura Restelo Hospital Veterinário, alerta para a importância de escolher um animal de forma consciente, privilegiando o seu bem-estar.

As tendências não se limitam à moda, à decoração ou à tecnologia. Hoje, também

chegam ao universo dos animais de companhia. Basta passar alguns minutos nas

redes sociais para perceber que determinadas raças de cães e gatos surgem

repetidamente em vídeos, fotografias e conteúdos virais, despertando o interesse de

milhares de pessoas.



Bulldogs Franceses, Dachshunds, Border Collies, Bengals ou Scottish Folds são

apenas alguns exemplos de animais cuja popularidade tem crescido nos últimos anos.

A sua aparência distinta, comportamentos considerados engraçados ou simplesmente

a frequência com que aparecem online acabam por influenciar a forma como muitas

pessoas imaginam o seu futuro animal de companhia.

Vivemos numa época em que a descoberta de produtos, experiências e até estilos de

vida acontece frequentemente através das redes sociais. Os animais não são

exceção. Um vídeo com milhões de visualizações ou uma fotografia particularmente

apelativa pode transformar uma raça relativamente desconhecida numa das mais

procuradas em poucos meses. No entanto, aquilo que vemos online é, na maioria das

vezes, uma versão cuidadosamente selecionada da realidade.



André Santos, Médico Veterinário do AniCura Restelo Hospital Veterinário


O problema é que as redes sociais mostram apenas uma parte da história. Um vídeo

de poucos segundos dificilmente revela o nível de energia de um Border Collie, as

necessidades específicas de um Bengal ou os cuidados que determinadas raças

podem exigir ao longo da vida. Aquilo que parece uma escolha perfeita no ecrã pode

revelar-se um desafio quando chega ao quotidiano.


Quando a decisão é tomada sobretudo pela estética ou pela influência de uma

tendência, existe o risco de criar expectativas pouco realistas. O animal pode

necessitar de mais tempo, atenção, exercício ou acompanhamento do que o esperado.

Em alguns casos, a incompatibilidade entre as necessidades do animal e o estilo de

vida da família acaba por criar dificuldades de adaptação, frustração e problemas

comportamentais.



Existe ainda uma consequência menos visível deste fenómeno: quando determinadas

raças se tornam extremamente populares, pode aumentar a procura por cuidadores

pouco responsáveis ou incentivar decisões impulsivas que não consideram

verdadeiramente as necessidades do animal. O resultado pode traduzir-se em

problemas de saúde, dificuldades de adaptação e, em situações mais extremas,

abandono.

Importa lembrar que não existem raças perfeitas nem animais "certos" para todos.

Cada cão e cada gato têm características próprias que devem ser conhecidas antes

de qualquer decisão. O que funciona bem para uma pessoa pode não funcionar para

outra.

As redes sociais podem ser uma excelente fonte de inspiração e descoberta, mas não substituem a informação especializada. Antes de seguir uma tendência, vale a pena perceber se aquele animal se enquadra verdadeiramente na rotina, no espaço e no tempo disponíveis. No final, a melhor escolha raramente é a que está na moda. É aquela que permite garantir o bem-estar do animal e uma convivência equilibrada ao longo dos anos.

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