Casa arrumada, cabeça tranquila: O retrato do lar português
Os portugueses sentem-se mais seguros e no controlo dentro de casa do que qualquer outra população estudada pela IKEA. Mas a economia, a organização do lar e as alterações climáticas continuam a pesar nas preocupações para o futuro.

Num mundo marcado pela incerteza, a casa continua a ser um dos principais refúgios dos portugueses. É uma das conclusões do Relatório A Vida em Casa 2026, da IKEA, que analisa a relação das pessoas com o espaço onde vivem e, este ano, dá particular atenção à organização e à arrumação.
Mais controlo dentro de casa
71% dos portugueses dizem sentir-se sob controlo quando estão em casa, o valor mais elevado entre os países analisados e acima da média mundial, de 59%.
Mas esse sentimento de segurança convive com preocupações económicas. 47% apontam a situação económica do país como a sua principal preocupação, enquanto 38% estão preocupados com as despesas domésticas e o rendimento disponível.
O conforto assume, por isso, um significado muito ligado à vida familiar. 73% dizem sentir-se frequentemente confortáveis em casa, sobretudo graças às refeições caseiras (44%), ao tempo passado com quem gostam (39%) e ao ato de cozinhar (39%).
Arrumação para viver melhor
Uma casa organizada parece também contribuir para o bem-estar. 59% dos portugueses consideram o seu lar arrumado e livre de desordem, mas 86% identificam pelo menos uma zona difícil de manter organizada.
Os principais pontos críticos são os roupeiros (35%), as bancadas da cozinha (29%) e os armários e gavetas da cozinha (25%).
Para 89% dos inquiridos, conseguir encontrar facilmente aquilo de que precisam em casa é importante para evitar ansiedade. E mais espaço de arrumação não significa necessariamente guardar mais coisas: 46% preferiam ter simplesmente mais espaço disponível, enquanto 33% gostariam de reduzir a desorganização.

Sustentabilidade começa em casa
A preocupação ambiental também está presente no quotidiano. 87% dos portugueses dizem preocupar-se com as alterações climáticas e 69% sentem-se pessoalmente afetados por elas.
Essa preocupação traduz-se em comportamentos concretos: 93% das famílias já adotam práticas mais sustentáveis em casa e 96% querem fazer ainda mais.
Entre as ações mais comuns estão conservar melhor os alimentos para evitar desperdício (85%), reparar, vender ou doar mobiliário antigo (79%) e reaproveitar frascos para organização.
A principal motivação é, em primeiro lugar, poupar dinheiro, seguida pelos benefícios para a saúde. Ainda assim, 40% admitem não saber quais as medidas com maior impacto ambiental.

Como é a casa portuguesa
Os resultados mostram uma relação particular dos portugueses com o lar: uma casa confortável é, acima de tudo, um espaço de controlo, convívio, comida e tranquilidade.
Ao mesmo tempo, a organização surge como uma ferramenta prática para reduzir o stress e melhorar o dia a dia, enquanto a sustentabilidade ganha espaço através de pequenos gestos.
Mais do que um lugar onde se vive, a casa parece assumir cada vez mais o papel de refúgio, espaço de organização e ponto de partida para escolhas mais conscientes.



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