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Contágios - 2500 Anos de Pestes

A Dom Quixote acaba de lançar Contágios, de Jaime Nogueira Pinto, uma obra que percorre dois mil e quinhentos anos de história, arte, literatura e ciência para contar como temos vivido e morrido em tempos de pandemia.



Da peste negra, à gripe espanhola, passando pelo Ébola, até à SIDA ou ao Covid-19, o autor tenta perceber com as epidemias afectaram a humanidade e as consequências políticas, sociais e culturais que trouxeram.


“Este ano de 2020 – e a data tem tudo para fascinar os cabalistas e os cabalísticos – ficará como um novo Ano da Peste, como 1348 para a Europa tardo‑medieval, 1665 para a Londres da Restauração e 1918 para o mundo pós‑Grande Guerra. Anos de peste, de pragas, de epidemias, de pandemias, de incertezas, de medos, de inseguranças. “

Recorrendo a fontes históricas tão diversas quanto o Livro do Apocalipse, a peça Édipo Rei, os estudos médicos de Galeno, a pintura Danças Macabras de Bernt Notke, o poema Nós, de Cesário Verde, ou o filme Philadelphia, com Tom Hanks, “Contágios” faz uma cronologia das principais epidemias que afectaram a humanidade e faz o balanço histórico das suas consequências políticas, sociais e culturais.


“Os contágios político‑ideológicos vieram no meio dos contágios da peste e encontraram no caos da pandemia um meio propício. E em certo sentido, sempre assim foi: as pestes sempre abalaram, influenciaram, condicionaram e muitos governantes, governos e regimes políticos foram julgados pelos povos em função do modo como lidaram com as pandemias. Agora não será diferente – nos regimes em que tal juízo e julgamento sejam feitos em liberdade. Por isso os líderes das potências que aspiram à hegemonia mundial cruzam acusações.


Este é também um tempo em que ao radicalismo da Esquerda responde um radicalismo à Direita, que é também uma rebelião votante das massas populares contra a ordem político‑cultural reinante. Esta versão gramsciana da luta de classes, em que as armas são o uso e abuso da manipulação da informação generalizou‑se: nas notícias, as contagens dos mortos da Covid‑19 nos Estados Unidos, no Brasil ou no Reino Unido são dadas para que os leitores, ouvintes ou espectadores sintam que cada morto é vítima mais ou menos directa das políticas erradas, reaccionárias e proto‑fascistas de Trump, Bolsonaro ou Boris Johnson. No lado oposto, imputam‑se os mortos ao ‘vírus chinês’ ou a uma conspiração da grande oligarquia mundialista, numa aliança secreta e diabólica entre marxistas culturais e capitalistas mundiais, para impor ao mundo uma nova ordem.”


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