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Escapadinhas de outono na Alemanha: Cinco cidades para descobrir

Foto do escritor: begoodmust
begoodmust
há 7 horas
4 min de leitura

História, arquitetura, cultura e algumas histórias insólitas. Longe das rotas turísticas mais óbvias, há cidades alemãs que merecem ser descobertas numa escapadinha de outono. Muitas ficam a curta distância dos principais aeroportos e oferecem um património rico, por vezes classificado pela UNESCO, além de curiosidades que ajudam a contar a sua história.


Sabia que Dostoiévski perdeu a sua fortuna no casino de Wiesbaden? Que o sal foi o “ouro branco” que fez a riqueza de Lübeck? Ou que o bairro social mais antigo do mundo continua habitado em Augsburg, onde os residentes pagam apenas 0,88 euros por ano?

Cinco cidades, cinco histórias e muitas razões para descobrir uma Alemanha menos óbvia.


Alemanha
Freiburg @ DZT-Francesco_Carovillano

Freiburg: Entre a Floresta Negra e a história medieval

Conhecida como uma das cidades mais soalheiras da Alemanha, Freiburg é uma cidade alegre e animada e uma excelente porta de entrada para a Floresta Negra. Fica a menos de duas horas do aeroporto de Karlsruhe/Baden-Baden, servido, entre outros, por ligações low cost desde o Porto.

O coração da cidade encontra-se na Münsterplatz, onde o mercado diário reúne produtos da região, incluindo queijos e presuntos da Floresta Negra. É também aqui que se ergue a imponente Catedral de Freiburg, cuja construção se prolongou por mais de 300 anos. A torre, com 116 metros de altura, oferece uma vista privilegiada sobre a cidade a quem aceitar o desafio dos 333 degraus.

As antigas portas medievais Schwabentor e Martinstor e os bächle – pequenos canais de água que acompanham as ruas desde a Idade Média – completam o cenário histórico. Diz a tradição que quem colocar o pé num bächle acabará por casar com alguém de Freiburg ou, pelo menos, regressará à cidade.


Alemanha
Wiesbaden Market Church with Town Hall @Francesco Carovillano

Wiesbaden: Águas termais e uma história de jogo

A cerca de uma hora de comboio de Frankfurt, Wiesbaden é uma das mais antigas estâncias termais da Europa. As suas águas atraíram, ao longo dos séculos, membros da aristocracia, escritores, músicos e artistas, entre eles Sissi, Mark Twain, Balzac, Brahms e Wagner.

Nem todos guardaram boas recordações. Fiódor Dostoiévski terá perdido toda a sua fortuna na roleta do casino de Wiesbaden, experiência que terá inspirado O Jogador. O casino continua em funcionamento e ocupa parte da elegante Kurhaus, hoje também palco de concertos e outros espetáculos.

Para conhecer a tradição termal da cidade, vale a pena passar pela fonte Kochbrunnen ou relaxar na Kaiser-Friedrich-Therme, uma piscina em estilo Art Nouveau. No alto da colina de Neroberg, acessível por funicular, a Opelbad oferece ainda uma piscina exterior aquecida e uma das melhores vistas sobre a cidade e as vinhas envolventes.


Bona: A cidade de Beethoven

Antiga capital da Alemanha Ocidental entre 1949 e 1991, Bona é sobretudo conhecida como a cidade natal de Ludwig van Beethoven. A casa onde o compositor nasceu, em 1770, é hoje a Beethoven-Haus, um dos principais espaços dedicados à sua vida e obra, com manuscritos, instrumentos, retratos e objetos pessoais.

A música continua a marcar a agenda cultural da cidade, nomeadamente através do Festival Beethoven, criado em 1845 com o apoio de Franz Liszt.

Mas Bona oferece muito mais. Entre os seus museus destacam-se o Kunstmuseum, com importantes coleções de expressionismo alemão e arte contemporânea, a Haus der Geschichte, dedicada à história da Alemanha desde o pós-guerra, e o Bundeskunsthalle, que acolhe exposições temporárias ao longo do ano.

A cerca de 70 quilómetros de Düsseldorf, Bona é uma opção particularmente interessante para quem procura combinar património, cultura e arte numa escapadinha urbana.


Alemanha
Lübeck UNESCO @Francesco Carovillano

Lübeck: Quando o sal valia ouro

Fundada em 1143, Lübeck foi durante séculos a poderosa “Rainha da Liga Hanseática”, uma das mais importantes redes comerciais do norte da Europa. A riqueza acumulada pela cidade ainda hoje está presente na sua arquitetura e património.

O melhor ponto de partida é o Holsten Tor, monumental porta gótica construída em tijolo entre 1464 e 1478. Próximo encontra-se um dos símbolos da antiga prosperidade de Lübeck: os Salzspeicher, seis armazéns onde era guardado o sal, então essencial para conservar alimentos e considerado verdadeiro “ouro branco”.

O centro histórico de Lübeck, com as suas igrejas, edifícios medievais e Câmara Municipal, integra o Património Mundial da UNESCO.

A literatura também deixou uma marca profunda. Thomas Mann nasceu aqui, em 1875, e a cidade continua a celebrar a família Buddenbrook, imortalizada no seu romance vencedor do Nobel. A Buddenbrook House encontra-se atualmente em remodelação, mas outras instituições culturais mantêm viva esta ligação literária.


Alemanha
Augsburg @Volker Preusser / bayern.by

Augsburg: A cidade onde nasceu a habitação social

A cerca de 45 minutos de comboio de Munique, Augsburg está entre as cidades mais antigas da Alemanha, tendo sido fundada pelos romanos em 15 a.C.

A cidade surpreende pela sua história ligada à água. Durante séculos, desenvolveu um sofisticado sistema de gestão e distribuição de água que separava a água potável da não potável. Este sistema hidráulico foi reconhecido pela UNESCO como Património Mundial em 2019.

A riqueza de Augsburg também ficou ligada à família Fugger, uma das mais poderosas dinastias financeiras da Europa. Jakob Fugger, conhecido como “o Rico”, financiou imperadores e teve um papel relevante na política europeia do século XVI.

Foi também responsável pela criação da Fuggerei, fundada em 1521 e considerada o complexo de habitação social mais antigo do mundo ainda em funcionamento. Os cerca de 150 residentes pagam atualmente uma renda simbólica de 0,88 euros por ano, mantendo também algumas das tradições estabelecidas pelos fundadores.

Entre os outros pontos de interesse estão a Câmara Municipal, uma obra-prima do Renascimento, a Perlachturm, com 70 metros de altura, o Palácio Schaezler, exemplo do Rococó, e a casa onde nasceu Leopold Mozart, pai de Wolfgang Amadeus Mozart.


Uma Alemanha para descobrir sem pressa

Freiburg, Wiesbaden, Bona, Lübeck e Augsburg mostram uma Alemanha que vai muito além das grandes capitais e dos destinos mais conhecidos. São cidades onde a arquitetura conta histórias, onde personagens célebres deixaram a sua marca e onde cada rua revela um pouco mais da história europeia.

Com boas ligações ferroviárias e aeroportos próximos, são também destinos perfeitos para uma escapadinha de outono, combinando cultura, gastronomia, património e experiências únicas.


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