Um pisco, uma vidente relutante e uma cidade cheia de vigaristas: Livros para jovens que não gostam de ficar quietos
Há quem procure a própria voz numa floresta, quem investigue uma mascote desaparecida e quem queira perceber como chegámos até aqui. Estas novidades mostram que crescer pode ser uma grande aventura.

Os livros para jovens têm uma vantagem sobre os adultos: podem fazer uma pergunta enorme e, na página seguinte, pôr um pisco a cantar, um horóscopo a cumprir-se ou uma cidade inteira a esconder segredos. Nesta seleção, as personagens seguem caminhos muito diferentes, mas todas acabam por enfrentar a mesma descoberta: o mundo é mais complicado — e mais interessante — do que parecia.
Para quem precisa de ser visto

Eddie sente-se invisível. Em Nas Asas da Coragem, refugia-se na floresta, onde um pequeno pisco o conduz até Mari, uma rapariga misteriosa que parece conhecer os seus segredos.
Entre música, natureza e imaginação, a história fala de amizade, família e saúde emocional com uma ideia simples e poderosa: por vezes, encontrar coragem começa por encontrar alguém que nos escute. As ilustrações delicadas de Linde Faas acompanham esta viagem. Chega às livrarias a 5 de outubro.
Para quem queria escrever notícias sérias e acabou nos horóscopos

Clara tem um plano: trabalhar no jornal da escola e tornar-se jornalista. O universo, pelos vistos, tem outro. Em Clara Vidente, de Rachelle Delaney, a jovem muda-se com a mãe para Kensington Market, em Toronto, e recebe a tarefa de escrever os horóscopos semanais. O problema surge quando as previsões começam a acontecer.
De repente, todos querem uma vidente, enquanto Clara continua a preferir uma boa investigação. O desaparecimento da mascote da escola pode ser a oportunidade de provar o seu talento. Pelo meio, há amizades, mudanças e o pequeno inconveniente de tentar passar despercebida quando toda a gente acha que se prevê o futuro.
Para quem pergunta: «Como é que chegámos aqui?»

No quarto e último volume de Indomáveis, Yuval Noah Harari leva os leitores da antiguidade até à inteligência artificial. Com ilustrações de Ricard Zaplana Ruiz, a série termina a sua explicação da história da Humanidade com uma pergunta virada para a frente: que mundo queremos construir a seguir?
É uma leitura para jovens curiosos — e para os adultos que costumam responder «é complicado» quando lhes perguntam por que razão o mundo funciona assim.
Para quem acha que os clássicos precisam de uma porta de entrada

Antes das séries com dezenas de personagens e árvores genealógicas difíceis de acompanhar, já existiam a Ilíada e a Odisseia. Gillian Cross adapta as epopeias de Homero em A Ilíada e a Odisseia de Homero, numa edição indicada a partir dos 8 anos.
A narrativa torna as histórias acessíveis sem perder as emoções que as mantêm vivas: coragem, amizade, perseverança e perda. As ilustrações de Neil Packer, inspiradas na cerâmica da Grécia Antiga, ajudam a abrir caminho para esta primeira viagem ao mundo de Homero.
Para quem desconfia de cidades demasiado mágicas

Em Arkspire, magia e mistério dividem espaço com vigaristas, reviravoltas e segredos que só uma rapariga poderá desvendar. O primeiro livro desta nova trilogia promete aventura e humor, mas também questões sobre desigualdade e justiça social.
Parece o destino ideal para leitores que gostam de descobrir um mundo novo — sobretudo quando esse mundo tem qualquer coisa de muito errado por baixo do encanto.
De uma floresta silenciosa a uma cidade mágica, estas histórias fazem companhia a quem está a crescer, a mudar de ideias ou a tentar perceber onde pertence. E, convenhamos, nenhuma dessas tarefas fica necessariamente concluída aos 18 anos.



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