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A Rapariga que Acreditava em Milagres - Do Holocausto à Esperança

Atualizado: Jul 25

A história verídica de Irene Butter, a sobrevivente de Holocausto que partilhou o campo de concentração de Bergen-Belsen com Anne Frank e se tornou uma conhecida activista pela paz e uma das primeiras mulheres a conseguir um doutoramento em Economia na Universidade norte-americana de Duke. Obra escrita em parceira com John D. Bidwell e Kris Holloway.



Irene Hasenberg nasceu em Berlim, em 1930, e teve uma infância e privilegiada, na companhia do pai e do irmão, Werner. “Fazíamos jardinagem, íamos ao jardim zoológico, às compras, éramos mimados e gostávamos de o ser, sem noção das questões políticas que começavam a assombrar os nossos dias”. Um prestigiado bancário judeu, que combatera na I Guerra Mundial ao lado das tropas alemães, o pai depressa viu expropriado o banco que a família gerira durante gerações. Em 1937, consegue fugir para Amesterdão ao assumir um cargo de direção na American Express. Destino semelhante tiveram muitos judeus, como é o caso de Anne Frank, dois anos mais velha, vizinha de Irene no mesmo bairro.

Durante anos, os Hasenberg conseguem viver em segurança até que, a 20 de Junho de 1943, acabam para ser enviados para o campo de acolhimento temporário de Westerbork e, daí, para o terrível campo de concentração Bergen-Belsen, onde entram em Fevereiro de 1944. “Fiquei chocada quando descobri que Anne também estava no campo, mas noutro espaço, e consegui vê-la e falar com ela através do arame farpado. Tanto ela como a irmã estavam muito doentes e oferecemo-nos para lhe levarmos roupa. Foi o que fizemos, mas quando atirámos o pacote foi roubado por outra prisioneira. Disse-lhe que voltaria no dia seguinte, mas não consegui.”

Graças aos passaportes do Equador obtidos pelas influências paternas, Irene e a família embarcaram nesse mesma noite num comboio. O pai, barbaramente espancado, morreu na viagem e o corpo foi deixado na estação de comboios de Biberach, na Alemanha. Ao chegarem à Suíça, mãe e irmão são internados no hospital e a menina enviada para Marselha e depois, de navio, segue para a Argélia, e, de seguida, para os Estados Unidos, onde chegou na noite de Natal de 1945.

«Quando desci do navio que me trouxe, os familiares americanos que me acolheram pediram-me que esquecesse tudo o que acontecera com a minha família – e comigo – no Holocausto. Disseram-me que nunca mais pensasse ou falasse nisso. Eu tinha 15 anos, eles eram adultos, e eu dei-lhes ouvidos. Durante 40 anos mantive o silêncio. Mas não me sentia verdadeiramente livre até começar a contar o que aconteceu comigo quando criança. Esta é a minha história.»


IRENE HASENBERG BUTTER fala agora regularmente sobre a sua experiência durante a II Guerra Mundial para enfatiza a importância de «não ser mero espectador» e de que «uma pessoa pode fazer a diferença». É co-fundadora da Zeitouna, uma organização de mulheres judias e árabes que trabalham em prol da paz, e fundadora do Projeto Raoul Wallenberg na Universidade de Michigan, que homenageia o diplomata sueco que salvou milhares de judeus através da atribuição de bolsas e de um prémio anual que distingue obreiros da paz, como o Dalai Lama, Elie Wiesel, Desmond Tutu e Aung San Suu Kyi. Atualmente professora emérita de Saúde Pública da Universidade de Michigan. #must#itmustbegood#revistamust#casadasletras#livro#book#lovebooks#holocausto #IreneHasenberg #IIguerramundial #araparigaqueacreditavaemlagres #historiareal #vida