Da saúde à segurança: Iniciativas que fazem a diferença na vida das crianças
Cuidar, proteger e dar autonomia às crianças são os temas que unem três iniciativas em destaque. Do regresso do “Hospital dos Pequeninos”, que procura aproximar os mais pequenos dos cuidados de saúde, às recomendações para que as crianças possam começar a deslocar-se sozinhas para a escola em segurança, passando pela caminhada que alerta para a importância dos cuidados paliativos pediátricos, são várias as ações que colocam a saúde, o bem-estar e os direitos das crianças no centro da atenção.
Hospital dos Pequeninos regressa com “Acampamento na Floresta”
Projeto da Associação de Estudantes da Faculdade de Medicina de Lisboa pretende ajudar as crianças a perder o medo dos profissionais de saúde

A Associação de Estudantes da Faculdade de Medicina de Lisboa (AEFML) volta a promover o Hospital dos Pequeninos, uma iniciativa sem fins lucrativos dirigida a crianças dos 3 aos 10 anos, que este ano apresenta o tema “Hospital dos Pequeninos e o Acampamento na Floresta”.
Criado com o objetivo de reduzir a ansiedade das crianças perante médicos e outros profissionais de saúde, o projeto procura combater o chamado “medo da bata branca”, ao mesmo tempo que promove a literacia em saúde de forma divertida e adaptada aos mais pequenos.
Para participar, basta levar um peluche com um “dói-dói” e muita vontade de brincar. Através de atividades lúdicas, as crianças assumem o papel de cuidadoras dos seus peluches, familiarizando-se com diferentes procedimentos e profissionais de saúde num ambiente descontraído.
Este ano, o Hospital dos Pequeninos prevê receber entre 3.000 e 3.500 crianças, distribuídas por várias edições.
A edição destinada às escolas decorrerá entre 23 e 27 de novembro, na Cantina I dos Serviços de Ação Social da Universidade de Lisboa, conhecida como “Cantina Velha”.
Para as famílias, haverá uma edição nos dias 28 e 29 de novembro, no Pavilhão do Conhecimento, com entrada livre e gratuita, exceto na área expositiva. Está ainda prevista uma edição no Porto de Setúbal, durante um fim de semana de abril, em data a anunciar.
O Hospital dos Pequeninos foi o primeiro projeto deste género implementado em Portugal e continua a apostar numa abordagem baseada na brincadeira para aproximar as crianças dos cuidados de saúde.
A organização procura parceiros de divulgação que possam ajudar a levar esta iniciativa a mais famílias, através de notícias, reportagens, entrevistas ou outros meios de comunicação.
Mais informações estão disponíveis no site do Hospital dos Pequeninos e nas suas redes sociais.
Podem as crianças ir sozinhas para a escola? Sim, mas a partir de que idade?
Especialistas apontam os 11-12 anos como uma idade adequada para começar, mas tudo depende da maturidade da criança e do percurso.
23 de setembro de 2026.

Com o regresso às aulas, muitas famílias procuram conciliar os horários escolares com as exigências profissionais. Quando a escola fica perto de casa, permitir que os filhos façam o percurso sozinhos pode ser uma forma de ganhar autonomia e facilitar a rotina familiar.
Segundo especialistas da SaveFamily, os 11 e os 12 anos podem ser uma idade adequada para iniciar esta transição. No entanto, não existe uma regra universal: a maturidade da criança, a distância, o trânsito e as características do percurso devem ser sempre considerados.
Recomendações para um percurso mais seguro
Antes de deixar a criança ir sozinha, os pais devem fazer o percurso várias vezes em conjunto, identificando os locais mais seguros para atravessar a estrada e os pontos onde poderá pedir ajuda.
É igualmente importante:
Escolher o percurso mais seguro, mesmo que seja ligeiramente mais longo;
Ensinar e reforçar as regras de trânsito e utilização das passadeiras;
Garantir que a criança sabe contactar os pais e os serviços de emergência;
Sempre que possível, incentivar o percurso acompanhado por colegas;
Identificar locais seguros no caminho onde possa pedir ajuda, como um comércio ou equipamento público;
Ensinar a criança a não aceitar boleias nem acompanhar desconhecidos;
Confirmar que o telemóvel ou relógio tem bateria suficiente antes de sair;
Combinar um horário e um procedimento caso a criança se atrase ou altere o percurso;
Considerar um relógio com GPS, sobretudo nos primeiros tempos, para que os pais possam acompanhar a localização;
Ensinar o que fazer perante uma situação de perigo e como pedir ajuda rapidamente.
Outra possibilidade é recorrer a relógios inteligentes com GPS. Alguns equipamentos incluem modo aula, que limita as funcionalidades durante o período escolar, e botão SOS para situações de emergência.
Mais importante do que a idade é garantir que a criança conhece o caminho, sabe reagir perante situações inesperadas e está preparada para assumir esta nova responsabilidade.
“O objetivo é dar autonomia às crianças e tranquilidade aos pais”, explica Jorge Álvarez, CEO da SaveFamily.
Caminhada em Lisboa alerta para a importância dos cuidados paliativos pediátricos
Iniciativa “Pequenos passos, grandes caminhadas” realiza-se a 11 de outubro e pretende mobilizar a comunidade para esta realidade.

Cerca de 8 mil crianças e adolescentes em Portugal vivem com doenças graves, progressivas ou incuráveis e podem necessitar de cuidados paliativos pediátricos. Estima-se, contudo, que 90% não tenham acesso a este tipo de acompanhamento.
Para chamar a atenção para esta realidade, o Grupo de Apoio à Pediatria da Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos (APCP) promove, no dia 11 de outubro, a caminhada “Pequenos passos, grandes caminhadas”.
A iniciativa acontece no mês em que se assinala o Dia Mundial dos Cuidados Paliativos Pediátricos, a 9 de outubro, e pretende sensibilizar a sociedade para a importância destes cuidados ao longo de toda a trajetória da doença — e não apenas no final de vida.
“Os cuidados paliativos devem estar centrados no ecossistema da criança: família, escola e comunidade”, destaca Cândida Cancelinha, vice-presidente da APCP. A médica sublinha ainda a importância de garantir que estas crianças e jovens possam manter, tanto quanto possível, uma vida próxima da sua rotina habitual.
Uma caminhada para todos
Com cerca de 5 quilómetros, a caminhada terá início às 10h00, na Estação Fluvial de Belém, e está aberta a profissionais de saúde, crianças, jovens, famílias, instituições e toda a sociedade civil.
Inspirada na iniciativa internacional Hats On for Children’s Palliative Care, a organização convida os participantes a levarem um chapéu original, enchendo o percurso de cor e criatividade em homenagem às crianças.
A participação é gratuita, mas requer inscrição. É também possível apoiar a iniciativa através da compra de uma t-shirt oficial, pelo valor de 8 euros.
As inscrições e restantes informações estão disponíveis no site da APCP.
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