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Vera Lagoa, Um Diabo de Saias

Uma biografia escrita pela historiadora Maria João da Câmara foi agora editada pela Oficina do Livro, um mês antes de se assinalarem 25 anos da morte da jornalista Maria Armanda Pires Falcão (19 de Agosto de 1996).



Poucas mulheres marcaram o século XX português como Maria Armanda Pires Falcão (1917), que ficaria conhecida como Vera Lagoa. De carácter destemido e opiniões fortes, a sua voz livre foi uma lufada de ar fresco no jornalismo. Na coluna «Bisbilhotices», no Diário Popular de Pinto Balsemão, comentou a sociedade do final do Estado Novo de forma atrevida, mordaz, indiscreta ao ponto de provocar escândalo. No pós-25 de Abril, foi das raras figuras independentes, sem compromisso nem cálculo, que ousou criticar os novos poderes instituídos, não se deixando intimidar perante atentados à bomba e processos em tribunal.


A historiadora Maria João da Câmara recorreu a variadas fontes históricas – entre as quais o arquivo pessoal e testemunhos de familiares, amigos e colaboradores que a conheceram de perto –, para escrever a biografia da menina marcada pela figura trágica do pai à jovem que cedo começa a trabalhar, casa e é mãe; da frequentadora dos ambientes mundanos e artísticos sofisticados da Lisboa do pós‑guerra à criadora «por desespero» do pseudónimo Vera Lagoa; da apoiante da candidatura do General Humberto Delgado e dos meios oposicionistas à contestatária contundente do jovem regime democrático no jornal O Diabo. "Vera Lagoa – Um Diabo de Saias" conta o percurso de vida desta mulher indomável e à frente do seu tempo. «Já tenho dito que só morta ficarei calada. Mas também já tenho insistido em que a voz dos mortos às vezes se ouve com demasiada força»



“Vera Lagoa dizia que o seu primeiro nascimento para este mundo foi em 1917, em Moçambique; o seu segundo nascimento dar -se -ia com o casamento com José Manuel Tengarrinha, e o terceiro foi quando «nasceu» Vera Lagoa. Partindo desta ideia, optei por dividir o livro em três partes, cuja cronologia é a seguinte: primeiro nascimento (1917 -1966), das origens de Maria Armanda até à publicação da sua primeira crónica; segundo nascimento (1966 -1974), desde que Vera Lagoa se impõe no Diário Popular até à revolução de Abril; e o terceiro nascimento (1974--1996), quando vive um momento marcante da sua vida e da vida do país. Quis fazer soar novamente a sua voz, para que não seja esquecida uma das mulheres marcantes da segunda metade do século XX português. Não pretendi relembrar com o intuito de provocar quaisquer disputas em que a vida de Vera Lagoa foi fértil. O meu objetivo é que o leitor, através do retrato de uma mulher, em todas as suas dimensões – incluindo ambiguidades e incoerências, ou polémicas –, possa julgar por si mesmo quem foi Vera Lagoa.”


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