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Da procura à escritura: 8 cuidados que deve ter no financiamento da nova casa

Foto do escritor: begoodmust
begoodmust
há 2 horas
4 min de leitura

Comprar casa exige mais do que encontrar um imóvel de que se gosta. Antes de avançar, é importante perceber quanto pode pedir ao banco, quanto dinheiro precisa de ter disponível e qual a prestação que consegue suportar sem comprometer o orçamento familiar.



Entre a escolha da casa e a assinatura da escritura há várias decisões que podem fazer diferença no custo final do crédito. Preparar cada etapa com antecedência ajuda a evitar surpresas e a tomar decisões mais ajustadas à realidade financeira de cada família.

O Doutor Finanças reuniu oito cuidados a ter em conta antes de avançar para a compra.


1. Comece pelo orçamento, não pela casa

Antes de iniciar a procura, defina quanto pode realmente gastar. Uma simulação de crédito permite ter uma primeira estimativa, enquanto uma pré-aprovação ajuda a perceber, com maior rigor, o valor que poderá ser financiado.

Ainda assim, a pré-aprovação não garante o crédito: a decisão final depende também do imóvel escolhido e da avaliação feita pelo banco.


2. Não comprometa todo o orçamento com a prestação

A prestação do crédito não é a única despesa associada à casa. Há seguros, condomínio, impostos, manutenção e outros custos do dia a dia.

Por isso, mesmo que o banco considere que a taxa de esforço permite determinada prestação, é importante manter alguma margem financeira para despesas inesperadas ou para uma eventual subida dos encargos.


3. Saiba quanto precisa de ter disponível

Na compra de habitação própria e permanente, o financiamento bancário é, em regra, de até 90% do valor considerado para o imóvel. O comprador terá, por isso, de assegurar a parte restante, além dos impostos e outras despesas da aquisição.

Há ainda um detalhe importante: o banco considera o valor mais baixo entre o preço de compra e a avaliação. Se uma casa custar 300 mil euros, mas for avaliada em 280 mil, o financiamento será calculado sobre os 280 mil euros.


4. Verifique se pode beneficiar de apoios

Os compradores até aos 35 anos que adquiram a primeira habitação própria e permanente podem, se cumprirem os requisitos, ter acesso a medidas como a garantia pública no crédito habitação e a isenção de IMT e Imposto do Selo na compra.

Estes apoios podem reduzir o esforço inicial, mas não eliminam todas as despesas. Mesmo num cenário de financiamento elevado, podem existir custos com avaliação, registos, formalização do contrato ou Imposto do Selo sobre o crédito.


5. Compare o custo total, não apenas a prestação

Uma prestação mais baixa nem sempre significa um crédito mais barato. Ao comparar propostas, tenha em conta juros, seguros, comissões e outros produtos associados.

A TAEG ajuda a comparar o custo anual do financiamento, enquanto o MTIC mostra o montante total previsto a pagar durante o contrato. Para uma comparação mais justa, analise propostas com o mesmo valor financiado e o mesmo prazo.


6. Escolha a taxa de acordo com o seu perfil

Taxa fixa, variável ou mista têm impactos diferentes no orçamento.

A taxa fixa oferece maior previsibilidade, enquanto a variável acompanha a evolução da Euribor. A taxa mista combina um período inicial de taxa fixa com uma fase posterior de taxa variável.

Não existe uma opção certa para todos. O importante é perceber como a prestação pode evoluir e se o orçamento suporta eventuais aumentos no futuro.


7. Analise os seguros antes de assinar

Os seguros associados ao crédito também influenciam o custo mensal. No seguro de vida, verifique as coberturas e o capital seguro. No multirriscos, confirme coberturas, exclusões e franquias.

Os seguros podem, em determinadas condições, ser contratados noutra seguradora. Antes de mudar, confirme junto do banco se essa decisão terá impacto no spread ou noutras condições do crédito.


8. Faça uma última verificação antes da escritura

Antes de assinar, confirme se o crédito está aprovado, se a avaliação permite obter o financiamento necessário e se tem dinheiro disponível para todas as despesas que ficam fora do empréstimo.

Reveja também a prestação, os seguros e os restantes encargos. Comprar casa não termina na escritura: o objetivo é garantir que a despesa continua a ser sustentável depois de receber as chaves.



Checklist: o que confirmar antes da escritura

Para chegar à escritura sem surpresas, vale a pena fazer uma última revisão:

Crédito aprovado e condições finais confirmadas

Avaliação do imóvel concluída e financiamento suficiente

Capitais próprios disponíveis para a entrada e restantes despesas

IMT e Imposto do Selo calculados e, quando aplicável, benefícios fiscais confirmados☐ Seguros escolhidos e respetivas condições analisadas

TAEG e MTIC revistos na proposta final

Prestação mensal confirmada e enquadrada no orçamento familiar

Comissões, custos de avaliação e outros encargos contabilizados☐ Documentação do comprador e do imóvel preparada

Data, local e documentação necessária para a escritura confirmados

Dinheiro necessário para a conclusão da compra disponível na data prevista

Uma última verificação pode fazer a diferença entre chegar à escritura preparado ou ser surpreendido por um custo ou documento em falta.


O artigo completo “Guia de financiamento para a nova casa: Da pré-aprovação aos seguros” está disponível no portal do Doutor Finanças, com informação adicional sobre as várias etapas do processo de crédito habitação.


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