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Do mar ao Douro e com mais plantas à mesa: Três caminhos para o futuro da cozinha

Foto do escritor: begoodmust
begoodmust
há 11 horas
6 min de leitura

O futuro da gastronomia passa por três frentes que estão a transformar a forma de cozinhar, comer e receber: no Congresso de Cozinha 2026, o mar afirma-se como um novo ingrediente; no Douro, o território abre as portas a uma nova visão da hospitalidade; e, na cozinha de Joana Limão, as plantas ganham protagonismo e mostram como é possível reinventar os sabores do dia a dia. Três histórias, três olhares sobre uma gastronomia em mudança.


Congresso de Cozinha 2026: O mar é o novo ingrediente

A 22.ª edição do Congresso de Cozinha acontece a 27 e 28 de setembro, em Oeiras, reunindo chefs, produtores, investigadores e profissionais da restauração para dois dias de debates, demonstrações e degustações em torno do mar e do futuro da alimentação.



O que chega ao prato começa muito antes da cozinha. Pode nascer no mar, numa comunidade piscatória, numa produção de algas ou numa técnica transmitida entre gerações. É a partir desta relação entre território, produto e cultura que o Congresso de Cozinha escolheu o oceano como tema central da sua 22.ª edição, que decorre nos dias 27 e 28 de setembro, nos Jardins do Palácio Marquês de Pombal, em Oeiras.

Criado em 2005, o Congresso tornou-se um dos encontros de referência da gastronomia portuguesa, acompanhando a evolução do setor e alargando a discussão para temas como sustentabilidade, saúde, território, cultura e condições de trabalho na restauração.

Este ano, o mar assume o protagonismo. O programa coloca em debate o futuro do pescado, a sustentabilidade dos recursos marinhos, a aquacultura, as algas e as diferentes formas de aproximar aquilo que é pescado ou produzido da cozinha profissional.

Entre os temas em discussão estão a escolha sustentável do pescado, a maturação e cura do peixe e a relação entre rio, mar, pesca e território. A programação cruza ainda gastronomia com ciência, ambiente e saúde, mostrando que pensar o que comemos implica olhar para muito mais do que aquilo que chega ao prato.


A vertente gastronómica terá igualmente um papel central. A chef Caroline Giandalia, do Gruta, no Porto, apresenta “Onde a terra bebe o mar”, enquanto Diana Roque, do Bougain, em Lisboa, leva uma canja de amêijoas ao programa. Katya Plotnikova, do Borboleta e Tini Mini, no Porto, apresenta um tártaro de robalo com mirtilos, ervas frescas e citrinos.

O Brasil também marca presença através de Angélica Salvador, do In Diferente, no Porto, com uma interpretação de “Portugal e Brasil — Moqueca de Camarão”. Marcelo Oliveira e Samuel Brito apresentam ainda “Da Amazónia à Caatinga: encontros da cozinha brasileira”, numa viagem por diferentes territórios e referências gastronómicas.

O Congresso olha também para outras geografias portuguesas, com sessões dedicadas às algas dos Açores, à Madeira, ao Alto Minho e à relação entre o mar e os territórios do interior. O restaurante Tua Madre, de Évora, questiona “O que é do mar no interior do Alentejo?”, enquanto Rodrigo Castelo, do Ó Balcão, em Santarém, apresenta uma proposta com ostras.


Mas há uma dimensão do Congresso que vai além do produto. A profissão e os desafios de quem trabalha na restauração também entram em discussão. Entre os temas estão o impacto físico do trabalho na cozinha, a conciliação entre carreira e família e a relação entre alimentação e saúde, incluindo uma sessão dedicada à disfagia.

Ao longo de dois dias, a cozinha surge, assim, como ponto de partida para uma conversa mais ampla sobre o futuro da alimentação. Porque falar de peixe é também falar de oceanos; falar de ingredientes é falar de território; e falar de restaurantes é, inevitavelmente, falar das pessoas que lhes dão vida.

Indicações úteis:

Congresso de Cozinha 2026

27 e 28 de setembro, a partir das 10h

Jardins do Palácio Marquês de Pombal, Oeiras

Bilhetes: 60 € (um dia) | 100 € (dois dias) | estudantes: 20 € por dia. Existem ainda packs para grupos.

   

O Douro abre as portas ao futuro da hospitalidade


HOST Douro

Nos dias 5 e 6 de outubro, Alijó volta a receber o HOST Douro, encontro que cruza gastronomia, vinho, turismo e hospitalidade. Sob o mote “In Good Hands”, a segunda edição reúne chefs, especialistas e profissionais internacionais para discutir o futuro dos destinos e o papel insubstituível das relações humanas.


O que transforma um lugar num destino memorável? A comida, o vinho, a paisagem, as pessoas ou a combinação de tudo isto? É a partir destas perguntas que o HOST Douro regressa a Alijó para dois dias dedicados à hospitalidade e à forma como esta pode aproximar visitantes, territórios e culturas.

Promovida pela CIM Douro, a segunda edição acontece a 5 e 6 de outubro no Centro Interpretativo D’Olival ao Azeite D’Ouro e em diferentes espaços da região. O programa junta palestras, almoços assinados por chefs, mesas-redondas e visitas, numa experiência que pretende sair da sala e levar os participantes a conhecer o Douro por dentro.

Com o mote “In Good Hands”, a edição deste ano coloca a conexão humana no centro da discussão, sem ignorar os desafios trazidos pela tecnologia. Entre os nomes convidados está Michelle Schneider, especialista em futuro do trabalho e inteligência artificial, que irá refletir sobre a forma como a tecnologia pode transformar a hospitalidade sem substituir aquilo que a torna verdadeiramente humana.


A gastronomia e o vinho assumem, naturalmente, um papel central. João e Vânia Rodrigues, do Projecto Matéria, irão explorar a relação entre comida, território e cultura, enquanto Eduardo Bastos, Global Head of Food & Beverage da Aman, aborda a refeição como ferramenta de descoberta de um destino. Luis Baselga, vencedor do Michelin Sommelier Award 2026, leva à discussão as histórias e memórias contidas em cada garrafa.

O programa conta ainda com nomes internacionais como Björn Kjellberg, do Röda Huset, em Estocolmo, e Katherina Cordás e Ivan Ralston, do restaurante TUJU, em São Paulo, distinguido com três estrelas Michelin.

A experiência prolonga-se fora do espaço principal através das HOST Sessions, que convidam a conhecer projetos e produtores do território. Quanta Terra, Quinta de Loivos, Adega de Favaios e Quinta da Faísca serão palco de conversas sobre autenticidade, produto, narrativa e a arte de receber.


A gastronomia estará também à mesa, com almoços assinados por chefs como Luís Guedes, Óscar Geadas, José Gomes, Milton Ferreira, Rui Paula e Vasco Coelho Santos. O programa termina com um sunset no miradouro de Santa Marinha, onde gastronomia, vinhos e música encerram dois dias pensados para celebrar o território.

Mais do que um encontro profissional, o HOST Douro assume-se como uma experiência de descoberta e partilha. E mantém uma dimensão social particularmente relevante: a totalidade da receita dos bilhetes será destinada à criação de bolsas de estudo no Basque Culinary Center para alunos de escolas do Douro, contribuindo para formar a próxima geração de profissionais da hospitalidade.

Os bilhetes têm o valor de 55 € por dia ou 100 € para o passe geral e estão disponíveis através do website do HOST Douro.



Mais plantas, mais sabor: Joana Limão reinventa a cozinha do dia a dia



A cozinheira e autora lança “+ Plantas”, um livro que convida a olhar para os vegetais de outra forma, com receitas simples, saborosas e pensadas para trazer mais diversidade vegetal às refeições.


“Mais do que um livro de receitas, + Plantas é um convite a olhar para os vegetais com novos olhos.” A frase de José Avillez resume bem o espírito do novo livro de Joana Limão, editado pela Casa das Letras a 29 de setembro.

Mais do que propor uma cozinha de restrições, a autora parte de uma ideia simples: comer mais plantas. Legumes, frutas, ervas, cereais e outros ingredientes vegetais assumem aqui um papel central, através de receitas que exploram diferentes técnicas, texturas e combinações.

O resultado é um livro pensado para a cozinha real, com propostas que podem ser servidas como prato principal, entrada, acompanhamento ou até sobremesa. Entre as receitas estão uma sopa de tomate com figos, gratin dauphinois, malandrinho de tomate ao cubo, sopa de agrião e tabbouleh de couve-flor.

A inspiração vem também da memória. Joana Limão cresceu rodeada de comida e receitas, entre a cozinha da avó, os livros de culinária da família e os primeiros ensaios na cozinha. Muitas dessas referências acabaram por chegar ao livro, transformadas por viagens, experiências e anos dedicados à gastronomia.


No prefácio, Francisca Feiteira chama a atenção para uma questão que atravessa todo o projeto: numa época marcada por sucessivas tendências alimentares, dos alimentos sem gordura à obsessão pela proteína, existe uma recomendação que permanece consensual — comer mais vegetais.

É precisamente essa mudança de perspetiva que “+ Plantas” propõe. Em vez de retirar, acrescentar. Em vez de pensar nos vegetais como acompanhamento, colocá-los no centro do prato.

A autora, formada em Culinary Arts depois de passar pelo Design, trabalhou em restaurantes como Cantinho do Avillez e Boi Cavalo e em hotéis como o Arts Barcelona e o Altis Belém. Atualmente, desenvolve receitas e consultoria, trabalha como food stylist e chef privada e promove workshops e eventos.

Com “+ Plantas”, Joana Limão leva essa experiência para um livro que pretende tornar a cozinha vegetal mais acessível, criativa e, sobretudo, mais apetecível. Porque, como defende a autora, “a melhor coisa a fazer é descascar mais e desempacotar menos.”

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