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Mais leitores, mais encontros: Os livros continuam a ganhar espaço

Foto do escritor: begoodmust
begoodmust
há 51 minutos
5 min de leitura

A leitura e os livros continuam a marcar a agenda cultural em Portugal, entre o aumento do número de leitores e os encontros entre autores e público. Dos hábitos de leitura e compra revelados por um novo estudo às iniciativas que aproximam escritores dos leitores, o livro mantém-se em destaque, num contexto de transformação do setor e de procura por novas formas de acesso à leitura.


78% dos portugueses leem, mas só 62% compram livros



78% dos portugueses leram pelo menos um livro em 2025, mas apenas 62% compraram. O mercado editorial cresceu 17% desde 2023, enquanto a leitura digital ganha espaço e a pirataria continua a preocupar o setor.


Os portugueses estão a ler mais, mas isso não significa necessariamente que estejam a comprar mais livros. É uma das principais conclusões do estudo “Hábitos de Compra e Leitura em Portugal”, apresentado pela APEL – Associação Portuguesa de Editores e Livreiros no âmbito do BOOK 2.0, que decorre no CCB, em Lisboa.


Mais leitores, mas menos compradores

Em 2025, 78% dos portugueses com 15 ou mais anos afirmaram ter lido pelo menos um livro, o valor mais elevado dos últimos três anos. Em 2023 eram 73% e em 2024, 76%.

Cada leitor leu, em média, oito livros durante o ano, acima dos 7,2 registados em 2024.

Já na compra, a recuperação é menos expressiva: 62% dos portugueses compraram pelo menos um livro, abaixo dos 65% registados em 2023. A média de livros comprados por pessoa passou de 3,9 para 4,1, mas continua distante dos 4,8 de 2023.

Um dos dados que mais se destaca é o aumento dos chamados “leitores que não compram”. Em 2025, 18% dos portugueses afirmou ler livros sem os comprar, quase o dobro de 2023. Bibliotecas, empréstimos, ofertas e formatos digitais estão entre as diferentes formas de acesso aos livros.


Mercado editorial continua a crescer

Apesar da menor intensidade de compra por pessoa, o mercado editorial mantém uma trajetória positiva. O valor das vendas passou de 187 milhões de euros em 2023 para 218 milhões em 2025, enquanto o número de exemplares vendidos aumentou de 13,2 para 14,9 milhões.

Também a oferta se diversificou: em 2025 foram comercializadas cerca de 150 mil referências e atribuídos 23.683 novos ISBN.


Digital cresce, mas o papel continua dominante

A leitura digital está a ganhar terreno. 19% dos portugueses compraram livros digitais em 2025, quase o dobro dos 10% registados em 2023.

Ainda assim, o livro físico mantém uma posição claramente dominante. 92% dos leitores preferem o formato em papel e 95% dos compradores adquiriram livros impressos. As livrarias e lojas físicas continuam também a ser o principal canal de compra, utilizadas por 86% dos compradores.

Entre os leitores digitais, o e-reader é o dispositivo mais utilizado, por 49%.


Acesso gratuito levanta preocupações

O estudo chama ainda a atenção para o acesso gratuito a conteúdos digitais. Entre os leitores digitais, 68% recorre a conteúdos gratuitos, através de diferentes canais.

Embora algumas utilizações sejam legítimas, como empréstimos ou obras em acesso aberto, estes meios podem também facilitar a circulação não autorizada de livros. A APEL considera, por isso, importante acompanhar o fenómeno e proteger autores e restantes profissionais da cadeia do livro.


Jovens estão entre os que mais leem

A leitura apresenta valores particularmente elevados entre os mais jovens. 91% dos portugueses entre os 15 e os 24 anos e entre os 25 e os 34 anos afirmam ter lido pelo menos um livro no último ano.

Lisboa apresenta os níveis mais elevados de leitura, com 86%, e de compra, com 71%.

Também se verifica uma aproximação entre homens e mulheres: 79% das mulheres e 77% dos homens afirmam ler. As mulheres, contudo, leem em média mais livros.


Ler continua a disputar tempo com outras atividades

Apesar do crescimento, a leitura ainda compete com outras formas de ocupação dos tempos livres. 62% dos portugueses dizem ler por lazer, enquanto 91% referem conviver com amigos, 85% usar redes sociais e 75% ver filmes e séries em streaming.

Entre quem não lê, a principal razão é a falta de interesse (43%), seguida da falta de tempo (38%) e da preferência por outras atividades (33%).

Os dados reforçam, assim, o desafio de tornar a leitura mais presente no quotidiano e de garantir o acesso aos livros. Para a APEL, a literacia deve ser encarada como uma prioridade nacional, pelo seu papel no conhecimento, pensamento crítico e participação na sociedade.

O estudo foi realizado pela GfK entre 21 de junho e 29 de julho de 2026, junto de 1.000 pessoas com 15 ou mais anos residentes em Portugal.

Porto Editora e BertrandCírculo levam autores à Festa do Livro em Belém



Os Grupos Porto Editora e BertrandCírculo marcam presença na Festa do Livro em Belém, que decorre de 17 a 20 de setembro, nos Jardins do Palácio de Belém, com uma programação que reúne vários autores portugueses.

Ao longo dos quatro dias, os leitores poderão participar em sessões de autógrafos, apresentações de livros e encontros com escritores como Miguel Sousa Tavares, Teolinda Gersão, Rui Couceiro, Patrícia Reis, António Pinto Ribeiro e Filipa Martins, entre muitos outros.

Entre os momentos em destaque está, a 18 de setembro, a apresentação de Cantos de Tristeza, de Ovídio, com tradução de Carlos Ascenso André, e a presença de Manuel Alegre.



Porto Editora anuncia novidades editoriais para os últimos meses de 2026


Porto Editora

Richard Zimler, Veronica Roth, Hernán Díaz e Camilla Läckberg estão entre os autores que integram a rentrée editorial do Grupo Porto Editora. O catálogo para os últimos meses de 2026 inclui ainda inéditos em Portugal, novos autores portugueses e vários lançamentos para crianças e jovens.


O Grupo Porto Editora prepara para os últimos meses de 2026 uma série de novidades editoriais que atravessam a ficção, a não ficção, a poesia e a literatura infantojuvenil. Entre os principais lançamentos estão novos trabalhos de autores internacionais conhecidos e regressos aguardados pelos leitores.

Na Porto Editora, um dos destaques é a nova trilogia de Richard Zimler, O Voo dos Anjos Caídos. O primeiro volume, A Beleza das Coisas Imperfeitas, chega em setembro, seguindo-se No Abismo das Ilusões, em outubro, e O Último Golpe de Asa, em novembro.

O último quadrimestre inclui ainda A Carpideira, novo livro de Camilla Läckberg, Medusa, de Lars Kepler, e O Regresso à Cabana, de Wm. Paul Young. Veronica Roth, autora de Divergente, regressa também ao seu universo literário com A Sexta Fação.


Na Livros do Brasil, chegam a Portugal, pela primeira vez, Territórios de Luz, da escritora japonesa Yuko Tsushima, e Despachos Assinados, que reúne textos jornalísticos de Ernest Hemingway. A chancela publica ainda Fios, o novo romance de Hernán Díaz, quatro anos depois de Confiança.


A Assírio & Alvim reforça a aposta na poesia com novos livros de Diogo Pires Aurélio, Golgona Anghel e Filipa Leal, além de uma antologia dedicada a Du Fu, Wang Wei e Li Bai, três grandes nomes da poesia chinesa.


Na não ficção, entre os lançamentos previstos estão Caos e Progresso, de Carlos Guimarães Pinto e José Maria Pimentel, A Sociedade Ansiosa, do psiquiatra Pedro Morgado, e A Mais Breve História de Portugal, de Diogo Ferreira e Paulo M. Dias.

O catálogo inclui também novidades para os leitores mais jovens, com livros de Anna James, Erin Entrada Kelly, Peter Burns, Isabel Allende e Jamie Smart, entre outros.


Com estas publicações, o Grupo Porto Editora reforça para o último quadrimestre do ano a presença de autores portugueses e internacionais, combinando novos lançamentos, regressos de séries conhecidas e obras inéditas em Portugal.


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