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Cuidar de si começa antes dos sintomas

Foto do escritor: begoodmust
begoodmust
há 9 minutos
7 min de leitura

Prevenir, reconhecer os sinais e cuidar atempadamente. Da saúde vascular à saúde oral, passando pelo diagnóstico precoce e pelas novas soluções na medicina estética, reunimos informação essencial para cuidar do corpo, preservar o bem-estar e viver com mais qualidade.


Modern Wellness Care Collage

Pernas cansadas ao fim do dia? Não ignore os sinais

Há sintomas que tendemos a aceitar como parte normal do dia a dia. Chegar ao final da jornada com as pernas cansadas, pesadas ou inchadas é um deles. Muitas vezes, atribuímos estas queixas às muitas horas sentados ou de pé, ao calor ou simplesmente ao cansaço. Mas será que devemos encará-las como inevitáveis?


Por Dra. Ana Afonso, médica especialista em Angiologia e Cirurgia Vascular
Por Dra. Ana Afonso, médica especialista em Angiologia e Cirurgia Vascular

Na minha prática clínica, é frequente encontrar pessoas que convivem durante anos com estes sintomas sem procurar ajuda. E é importante deixar uma mensagem clara: pernas pesadas, cansadas ou inchadas de forma recorrente não devem ser normalizadas. Podem estar associadas à Doença Venosa Crónica e merecem ser avaliadas.

O problema está muitas vezes na imobilidade prolongada. Sentados num escritório, a conduzir ou atrás de um balcão, passamos várias horas sem movimentar suficientemente as pernas. É precisamente o movimento dos músculos da barriga da perna que ajuda a impulsionar o sangue de volta ao coração, contrariando a força da gravidade.

Por isso, uma das recomendações mais simples que podemos fazer é também uma das mais importantes: mexer as pernas ao longo do dia. Quem trabalha sentado deve levantar-se regularmente, caminhar alguns minutos e evitar longos períodos na mesma posição. Mesmo sentado, é possível movimentar os pés, elevar alternadamente os calcanhares e as pontas dos pés ou rodar os tornozelos. Quem trabalha de pé deve igualmente evitar permanecer parado durante muito tempo.

Também pequenos cuidados podem contribuir para o conforto. Um calçado adequado, roupas que não comprimam excessivamente a cintura ou a região das virilhas e, quando indicado, meias de compressão elástica graduada podem fazer parte destes cuidados.

Ao chegar a casa, elevar as pernas durante 15 a 20 minutos pode ajudar a aliviar a sensação de peso e o inchaço acumulado ao longo do dia. Nos dias mais quentes, um jato de água fresca nas pernas pode proporcionar uma sensação adicional de conforto.

Mas há uma diferença importante entre um desconforto ocasional e sintomas que se repetem. Quando o cansaço, o peso ou o inchaço são frequentes, persistentes ou acompanhados por varizes, derrames ou alterações da pele, é importante procurar avaliação médica.

A Doença Venosa Crónica pode evoluir e, quanto mais cedo for identificada, mais cedo podem ser adotadas medidas adequadas à situação de cada pessoa. O tratamento pode incluir diferentes abordagens, definidas de acordo com os sintomas e a avaliação clínica.

Cuidar da saúde venosa não exige necessariamente grandes mudanças. Muitas vezes, começa com gestos simples: levantar, caminhar, movimentar e estar atento aos sinais do corpo.

As pernas não têm de estar constantemente pesadas ou cansadas para aceitarmos que algo não está bem. Escutá-las também é uma forma de cuidar da nossa saúde.



Lipolaser: uma nova abordagem à gordura localizada

Há zonas do corpo onde a gordura localizada pode persistir mesmo com uma alimentação equilibrada e prática regular de exercício. É neste contexto que as tecnologias de lipolaser têm vindo a ganhar espaço na medicina estética, como alternativa não invasiva para a remodelação do contorno corporal.



Em Portugal, a Timeless by Marta Padilha® disponibiliza o Venus Bliss™, um sistema que utiliza quatro aplicadores de laser de díodo de 1064 nm. A energia é aplicada de forma controlada sobre o tecido adiposo subcutâneo, com o objetivo de promover a lipólise, enquanto um sistema de arrefecimento protege a superfície da pele.

A tecnologia está indicada sobretudo para zonas como abdómen e flancos e combina o laser com radiofrequência multipolar, campos eletromagnéticos pulsados e VariPulse™. A combinação procura atuar não só sobre a gordura localizada, mas também sobre a firmeza da pele e a aparência da celulite.


O que dizem os estudos

Os resultados disponíveis apontam para uma redução da espessura do tecido adiposo, embora os estudos tenham dimensões e metodologias diferentes. Num estudo publicado na revista Lasers in Surgery and Medicine, com 39 participantes, uma tecnologia que combinava laser de díodo de 1064 nm, radiofrequência e campos eletromagnéticos registou uma redução média de 31,9% da espessura do tecido adiposo, medida por ecografia.

Outro estudo clínico, realizado com 30 participantes, avaliou uma sessão de laser de 1060 nm nos flancos. Entre os 27 participantes avaliados às 12 semanas, foi observada uma redução média de 6,9% da espessura da camada adiposa.

Estes resultados devem ser interpretados no contexto dos próprios estudos e não significam perda de peso. O objetivo destas tecnologias é atuar sobre depósitos localizados de gordura e o contorno corporal, não substituir a alimentação equilibrada ou o exercício físico.

A avaliação individual assume, por isso, um papel importante. Gordura localizada, flacidez e celulite podem coexistir, mas não respondem necessariamente da mesma forma às diferentes tecnologias.

O Venus Bliss™ enquadra-se nesta abordagem de remodelação corporal não invasiva, procurando responder a zonas específicas onde a gordura localizada permanece apesar dos hábitos de vida saudáveis.



Cinco cuidados essenciais para preservar a saúde oral ao longo da vida

A prevenção, a higiene oral e o acompanhamento regular são fundamentais para reduzir o risco de problemas dentários e identificar precocemente alterações que podem comprometer a saúde oral.


saúde oral

A saúde oral resulta de vários fatores, entre os quais os hábitos de higiene, a alimentação, o acompanhamento clínico e as características de cada fase da vida. Muitas patologias podem evoluir sem sintomas evidentes, tornando o diagnóstico precoce particularmente relevante.

Neste contexto, a MALO CLINIC identifica cinco cuidados que contribuem para a manutenção da saúde dos dentes e das gengivas.


1. Manter um acompanhamento regular

A ausência de dor não significa necessariamente ausência de doença. Cáries e problemas gengivais podem desenvolver-se sem sintomas numa fase inicial. As consultas regulares permitem identificar alterações precocemente e determinar, quando necessário, a realização de exames complementares.

2. Reforçar a higiene oral diária

A escovagem dos dentes pelo menos duas vezes por dia, complementada pela utilização de fio dentário ou escovilhões, contribui para controlar a acumulação de placa bacteriana. As consultas de higiene oral permitem ainda remover tártaro e manchas superficiais que não são eliminados pela higiene diária.

3. Ter em conta o impacto da alimentação

O consumo frequente de açúcares está associado a um maior risco de cárie, enquanto alimentos e bebidas ácidos podem contribuir para o desgaste do esmalte. Uma alimentação equilibrada, com fontes de cálcio, fósforo, vitamina D e vitamina C, integra uma abordagem global à saúde oral. A ingestão adequada de água contribui também para a hidratação da boca.

4. Moderar hábitos que podem afetar os dentes e as gengivas

Café, chá e vinho tinto podem favorecer a pigmentação dentária. O tabaco, além de contribuir para o aparecimento de manchas, está associado a um maior risco de doença periodontal e cancro oral. Em situações de preocupação estética, o branqueamento dentário deve ser realizado após avaliação e acompanhamento profissional.

5. Adaptar os cuidados à idade

As necessidades de saúde oral alteram-se ao longo da vida. Na infância, a prioridade passa pela criação de hábitos de higiene e alimentação adequados. Na adolescência, o acompanhamento do desenvolvimento dentário permite identificar eventuais necessidades de intervenção. Na idade adulta e em fases mais avançadas, a prevenção e a manutenção da dentição, implantes e restantes tratamentos assumem particular importância.


Sinais que justificam avaliação

Sangramento das gengivas, mau hálito persistente, sensibilidade dentária, manchas, alterações de cor ou inflamação das gengivas são sinais que não devem ser desvalorizados. Uma avaliação profissional pode permitir identificar a sua origem e intervir numa fase precoce.

A manutenção da saúde oral ao longo da vida depende, assim, de uma combinação de prevenção, hábitos adequados e acompanhamento profissional regular, ajustados às necessidades de cada pessoa.



Cancro da cabeça e pescoço: diagnóstico precoce pode permitir taxas de cura de até 90%

Cerca de 60% dos casos são diagnosticados em fases avançadas. A campanha Make Sense 2026 alerta para a importância de reconhecer os sinais, procurar ajuda atempadamente e garantir os cuidados adequados.


Rui Santos
Ao associar a sua experiência pessoal à campanha, Rui Santos dá também rosto ao mote da edição de 2026

A campanha europeia Make Sense regressa, para a sua 14.ª edição, este ano sob o mote “Right care at the right time” — “Os cuidados certos no momento certo”. Em Portugal, a iniciativa é coordenada pelo Grupo de Estudos de Cancro da Cabeça e Pescoço (GECCP) e conta com o testemunho do ator Rui Santos, que viveu um diagnóstico de cancro da língua.

O diagnóstico precoce pode permitir taxas de cura de até 90%. Apesar disso, cerca de 60% dos doentes são diagnosticados nos estádios III e IV, quando a doença já se encontra mais avançada, com impacto no prognóstico e na qualidade de vida.


Reconhecer os sinais pode fazer a diferença

Em Portugal, são diagnosticados anualmente entre 2.500 e 3.000 novos casos de cancro da cabeça e pescoço. A doença pode afetar a cavidade oral, faringe, laringe, cavidade nasal e seios perinasais.

Entre os principais fatores de risco estão o tabaco, o consumo excessivo de álcool e a infeção pelo HPV. Alguns sintomas devem merecer particular atenção, sobretudo quando persistem por mais de três semanas:

  • úlceras na boca que não cicatrizam;

  • rouquidão ou alterações da voz;

  • dor ou dificuldade em engolir;

  • nódulos no pescoço;

  • obstrução nasal unilateral.

Perante estes sinais, é importante procurar avaliação médica e não adiar a consulta.


Um percurso que nem sempre é atempado

A investigação desenvolvida no âmbito da Make Sense identificou diferenças no acesso ao diagnóstico e tratamento, com tempos até ao diagnóstico que podem variar entre duas semanas e seis meses, além de desigualdades no acesso a especialistas e equipas multidisciplinares.

A campanha pretende, por isso, reforçar a importância de um percurso coordenado, desde os primeiros sintomas até à referenciação e ao tratamento.

Ao longo da iniciativa estão previstas ações de sensibilização, rastreios e sessões de formação em vários pontos do país, dirigidas à população e aos profissionais de saúde.

A mensagem da Make Sense é simples: reconhecer os sinais, procurar ajuda atempadamente e garantir os cuidados certos no momento certo pode contribuir para um diagnóstico mais precoce e melhores resultados.



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