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Voo atrasado ou cancelado? O imprevisto pode custar mais de 500 euros e muitos passageiros não reclamam

  • Foto do escritor: CarlaRibeiro
    CarlaRibeiro
  • há 5 horas
  • 4 min de leitura

Um atraso ou cancelamento não significa apenas passar horas no aeroporto. Entre novas reservas, refeições, alojamento e compromissos perdidos, uma perturbação de voo pode representar, em média e a nível global, 514 euros de despesas adicionais por passageiro. Ainda assim, muitos portugueses continuam sem reclamar os seus direitos.


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Quando um voo é cancelado ou chega várias horas depois do previsto, o primeiro impacto é evidente: tempo perdido, mudanças de planos e uma espera que parece não terminar. Mas as consequências podem prolongar-se muito para além do aeroporto — e pesar seriamente na carteira.


Uma nova pesquisa da AirHelp, empresa especializada em compensações de passageiros aéreos, procurou perceber o verdadeiro custo destas perturbações. Segundo o estudo, um atraso ou cancelamento pode representar, em média e a nível mundial, 514 euros adicionais por passageiro afetado.



Mais de metade teve despesas inesperadas

Entre os passageiros portugueses inquiridos, 51,5% afirmaram ter suportado despesas adicionais devido ao atraso ou cancelamento do voo.

Estas despesas podem incluir refeições, alojamento, deslocações, novas ligações, noites de hotel perdidas ou reservas que não permitem reembolso.

Além disso, 17% perderam dinheiro que já tinham investido em reservas não reembolsáveis e 3,5% indicaram ter deixado de receber valores relacionados com compromissos profissionais.

Ainda assim, 34,5% dos participantes disseram que a perturbação não lhes provocou consequências económicas.



A espera é pior do que perder dinheiro?

O impacto não se mede apenas em euros. Dos passageiros portugueses que participaram no estudo, 74% disseram ter sentido stress durante a interrupção da viagem.

Para 28%, o incidente teve mesmo consequências na saúde e no bem-estar, provocando problemas como fadiga ou privação de sono.

Apesar das perdas económicas, é a espera prolongada que mais incomoda. Para 60% dos passageiros, passar horas sem saber quando poderá seguir viagem é o aspeto mais grave da perturbação. Apenas 32% apontaram o impacto financeiro como a principal consequência.

Os dados revelam também que 46% dos inquiridos passaram por um atraso superior a duas horas e 34% chegaram ao destino entre duas e três horas depois do horário inicialmente previsto.



As viagens de trabalho também ficam em risco

Quando a deslocação é profissional, um voo perturbado pode significar mais do que uma reserva perdida.

Entre os viajantes em trabalho, 21,5% referiram o incumprimento de compromissos ou obrigações profissionais como um dos principais problemas provocados pelo atraso ou cancelamento.

Uma reunião perdida, um evento que já começou ou a impossibilidade de cumprir uma agenda podem representar consequências difíceis de compensar, mesmo quando o passageiro consegue recuperar parte das despesas.



Muitos passageiros não sabem que podem reclamar

Apesar de as regras europeias preverem compensações que podem chegar aos 600 euros por passageiro, dependendo da distância, do atraso na chegada e das circunstâncias da ocorrência, muitos viajantes continuam sem apresentar reclamação.

Entre os passageiros que não reclamaram, 41% admitiram que não sabiam que o podiam fazer. Outros 21% encontraram tantas dificuldades ou procedimentos complexos que acabaram por desistir.

Apenas 38% dos portugueses inquiridos apresentaram uma reclamação. Entre estes, 51% receberam uma resposta favorável.

A falta de informação começa, muitas vezes, ainda no aeroporto: só 18% disseram ter sido informados sobre os seus direitos durante a interrupção. Mais de metade — 52% — mostrou-se pouco ou nada satisfeita com a assistência prestada pela companhia aérea.



Quando existe direito a indemnização?

Ao abrigo das regras europeias, um passageiro pode ter direito a uma compensação entre 250 e 600 euros quando chega ao destino final com um atraso igual ou superior a três horas ou quando o voo é cancelado com menos de 14 dias de antecedência.

O valor depende da distância da viagem:

  • 250 euros para voos até 1.500 quilómetros;

  • 400 euros para voos dentro da União Europeia com mais de 1.500 quilómetros e outros voos entre 1.500 e 3.500 quilómetros;

  • 600 euros para os restantes voos de maior distância.

A compensação não é automática e pode não ser devida quando a perturbação resulta de circunstâncias extraordinárias que a companhia aérea não poderia ter evitado, como determinadas condições meteorológicas adversas.

As regras europeias abrangem voos dentro da União Europeia, voos que partem da UE e voos que chegam à UE quando são operados por uma companhia aérea europeia. Pode consultar informação detalhada no portal oficial Your Europe.



O que deve fazer perante um atraso ou cancelamento?

Antes de abandonar o aeroporto ou aceitar uma solução, é importante recolher todos os elementos relacionados com a viagem:

  • guarde o cartão de embarque e a confirmação da reserva;

  • peça à companhia aérea informação escrita sobre o motivo da perturbação;

  • registe os horários efetivos de partida e chegada;

  • conserve os recibos de refeições, alojamento e transportes;

  • peça informações sobre reencaminhamento, reembolso e assistência;

  • apresente a reclamação diretamente à companhia aérea;

  • não aceite propostas sem perceber se estas implicam renunciar a outros direitos.

Durante a espera, a companhia pode ter de disponibilizar refeições, bebidas, alojamento e transporte entre o aeroporto e o hotel, dependendo da duração da interrupção. Quando esta assistência não é prestada, as despesas necessárias, razoáveis e devidamente comprovadas podem ser reembolsadas.

A AirHelp disponibilizou uma nova edição do seu Guia sobre os Direitos dos Passageiros Aéreos, onde explica os diferentes cenários e os passos a seguir para apresentar uma reclamação.

Porque um voo perturbado já causa transtornos suficientes. Perder dinheiro por desconhecer os seus direitos não tem de ser mais um deles.


Um atraso ou cancelamento de voo pode representar 514 euros de custos adicionais. Saiba que assistência pode exigir e quando pode receber uma indemnização.


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